Oriki da Elisa

Amor em Saudade
    desatado
    de carência física
    embotado
Amor de amor pleno
    tranbordante
    música pungente
    latejante
Lateja amor as têmporas
   as taclas teclam amor
   agudo punhal inclemente
   apunhalando a dor
Dor do desamor que
   não é meu
   nem teu
   meu é o
   bemquerer que não morreu
   associado partilhado
   na partilha do que é
   meu e teu
Teu e meu na brancura do Obatalá
   no negrume de Laroiê
   nos peixes dourado
   da mamãe oxum
   oraieieu Exu saravá
Amor saudade corimba
   danço minha lágrima
   enquanto no tambor
   tua imagem crescente
   multiplica minha força
   expande meus horizontes
   transforma a vida
   num grito
   feliz na afirmação
   de um
   de dois
   de todo o humano
   em nós
Amor unijugado
   no trabalho a quatro mãos
   na luta compartilhada
   da esperança em comunhão
   ao ritmo das coisas belas
   ao gosto agreste do bom
   do belo que profetiza
   a ternura que és tu
      Elisa

Rio de Janeiro, 1 de julho de 1980
– Abdias do Nascimento, em “Axés do sangue e da esperança: Orikis”. Rio de Janeiro: Achiamé; RioArte, 1983, p. 65-66.


Comments are closed here.