A essência imutável

Entre a estrela e o átomo

A matéria viva estabelece o traço original.

A fotossíntese realiza a assimilação

Da energia solar do homem,

Mecanismo-alimento da força biológica

Existente no grão de luz que ronda o corpo inanimado

Vindo da semente viajante dos ventos programados.

Cubos-pedra lançam o elétron

De uma órbita a outra dos planetas tranquilos

E voltam à origem do cansaço.

Desencadeia-se o calor que mata,

O mecanismo complica-se,

O elétron muda de órbita

E a sua volta é seguida de reações em cadeia

Para aniquilar o homem caminhante

Das estradas indecisas.

As múltiplas diferenças de forças

Convocam a origem da vida em cada rumo da poeira ardida

Enquanto a procissão do grande mecanismo

Mostra em todos os níveis, em todas as gamas da existência,

A sua ativa regulagem

Que ainda é mistério para o homem aniquilado

Pela surpresa do nada saber

Além das suas carnes esfarrapadas pela infinita agonia.

– Adalgisa Nery, in: Erosão, 1973.


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