A um homem

Quando numa rocha porosa

Cansado te encostares

E dela vires surgir a umidade e depois a gota,

Pensa, amado meu, com carinho,

Que aí esta a minha boca.

Se teus olhos ficarem nas praias

E vires o mar ensalivando a areia

Com alegria pensa amado meu

Num corpo feliz

Porque é só teu.

Se descansares sob uma arvore frondosa

E além da sombra ela te envolver de ar resinoso

Lembra-te com entorpecência amado meu,

Da delicia do meu ventre amoroso.

Quando olhares o céu

E vires a andorinha tonta na amplidão

Pensa amado meu que assim sou eu

Perdida na infindável solidão.

A noite quando as trevas chegarem

E vires do firmamento

Uma estrela cair e se afundar

É sinal amado meu

Que o teu amor vai me abandonar.

Na morte, quando perderes o último sentido

E a tua própria voz

Em forma de pensamento

Te subir ao ouvido

Deixa escorrer a derradeira lagrima pelo teu rosto

Nascida do extremo alento do coração

E pensa então amado meu

Que ainda é um suave carinho da minha mão!


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