Canção para dentro

A canção do corpo é cantada para dentro

E a leveza da alegria se transmuda em peso,

A brisa adere aos amargos pensamentos

Fluindo no sorriso compassivo.

Logo,

Surgindo de células desamadas

Os matizes áureos anoitecem,

Pálpebras levantadas vão caindo

E nesgas apenas vislumbramos,

Geografias em nós morrendo,

Oceanos crescendo, ilhas sumindo,

Rosas nascendo na canção

Que o corpo canta para dentro.

– Adalgisa Nery, in: Erosão, 1973.


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