Eterno tédio

Muitas vezes esgotando o meu destino

Com o olhar em pranto

E o coração pungente como um dobrar de sino,

Ouço ruídos seculares que unem como um canto,

Crescendo de intensidade,

Mergulhando os meus sentidos

Na maior profundidade!

Muitas vezes, considerando a vida

Com desumana indiferença,

Por toda a esperança perdida,

Pelo abrir de um riso, por todo o bem, por toda a crença,

Sinto o meu viver humilhado,

Vejo o meu nada quase demasiado,

Que nem chega a ser pecado.

E o tédio em toda a amplidão

Cai sobre mim.

– Adalgisa Nery, in: Revista Atlântico – Revista Luso-brasileira, n 1, Primavera de 1942.


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