Fantasmas

Lívidos fantasmas deslizam nas horas perdidas 

Chegam à minha alma 

E como sombras da noite 

Levantam os meus ímpetos mortos 

Desatando as ligaduras do tempo. 

O luar da madrugada fria cai no meu rosto 

E ilumina com branda amargura 

O meu espírito que espera a hora insolúvel. 

Os caminhos cobrem-se de homens que dormem na morte 

E cresce no meu coração um desejo incontido 

Para uma união mais forte, mais intensa e mais perfeita. 

A minha pupila é banhada pela enorme lágrima 

Que umedecerá o solo castigado. 

A lágrima que levará ternura às existências sofridas, 

A lágrima que se mudará em sangue, 

Que levantará a vida morta do universo! 

– Adalgisa Nery, in: Cantos da Angústia, 1948.


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