Poema essencialista

Sinto o conteúdo da existência.

Procuro ultrapassá-lo com enorme exaltação poética,

Rompo as grades do mundo com o espetáculo das formas,

Dos sons e das cores.

Tudo me afoga em nostalgia de outras eras,

De outras vidas que cristalizaram

As tendências da minha infância.

A utilização das coisas plásticas

Altera o equilíbrio da visão.

Distribuo pelos quatro cantos do meu espírito

A essência imortal.

Fragmento seguidamente o meu interior

Fazendo doações físicas.

Dentro do meu limite há montões de estrelas apagadas,

Pensamentos que não andaram

Senão com o sopro de Deus.

Quero destruir para tentar construir.

A criação vive no ângulo do meu cérebro

Mas sei que serei vencida

Pela limitação das realizações humanas.

– Adalgisa Nery, in: Mundos Oscilantes, 1962.


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