Poema simples

Deixa-me recolher as rosas que estão morrendo nos jardins da noite,

Deixa-me recolher o fruto antes que este volva as raízes da terra,

Deixa-me recolher a estrela úmida

Antes que sua luz desapareça na madrugada,

Deixa-me recolher a tristeza da alma

Antes que a lágrima banhe a pálpebra

Do órfão abandonado e faminto,

Deixa-me recolher a ternura parada

No coração da mulher que desejou ser mãe.

Deixa-me recolher a esperança dos que acreditam,

Recolher o que ainda não passou

E mais do que tudo dá-me a recolher

A palavra de amor e de doçura para que reparta

Com os ouvidos que esperam como uma gota de mel

Caindo na alma e no coração,

Como a única luz dentro de tanta escuridão.

– Adalgisa Nery, in: Mundos Oscilantes, 1962.


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