Vivência

Começamos a viver

Quando saímos do sono da existência,

Quando as distâncias se alongam nas partículas do corpo.

Começamos a viver

Quando confusos e sem consolo

Não sentimos os traços do irmão perdido.

Quando antes da força

Surge a sombra do insignificante.

Quando o sono é transformado em sonhos superados,

Quando o existir não é contradição.

Começamos a viver

Quando percebemos a mutação das células,

Quando fugimos de dentro de nós mesmos

E escondemos a nossa carne num caramujo oco.

Quando o espírito falsificado esquece

As tortuosas estradas

E quando deixamos de ser escaravelhos laboriosos.

Começamos a viver

Quando velamos além do sono

A vida irreal dos nossos passos.

– Adalgisa Nery, in: Erosão, 1973.


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