Limite

e quando a palavra

apodrece

num corredor

de sílabas ininteligíveis.

e quando a palavra

mofa

num canto-cárcere

do cansaço diário.

e quanto a palavra

assume o fosco

ou o incolor da hipocrisia.

e quando a palavra

é fuga

em sua própria armadilha.

e quando a palavra

é furada

em sua própria efígie.

a palavra

sem vestimenta,

nua,

desincorporada.

– Adão Ventura, em “Costura de nuvens” (Antologia poética).. [organização e seleção Jaime Prado Gouvêa e Sebastião Nunes]. Sabará, MG: Edições Dubolsinho, 2006


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