Assim que vi você

assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você

parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido

alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido

alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido

agora não tem mais jeito
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura

já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei
parte da tua leitura

In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. p.19. (Cantadas literárias, 24


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *