Alphonsus de Guimaraens

XXXIII – ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,Pôs-se na torre a sonhar…Viu uma lua no céu,Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu,Banhou-se toda em luar…Queria subir ao céu,Queria descer ao mar… E, no desvario seu,Na torre pôs-se a cantar…Estava perto do céu,Estava longe do mar… E como um anjo pendeuAs asas para voar…Queria a lua do • Read More »


A passiflora

XII A Passiflora, flor da Paixão de Jesus,Conserva em si, piedosa, os divinos Tormentos:Tem cores roxas, tons magoados e sangrentosDas Chagas Santas, onde o sangue é como luz. Quantas mãos a colhê-la, e quantos seios nusVêm, suaves, aninhá-la em queixas e lamentos!Ao tristonho clarão dos poentes sonolentos,Sangram dentro da flor os emblemas da Cruz… Nas • Read More »


Catedral

Entre brumas, ao longe, surge a aurora.O hialino orvalho aos poucos se evapora,Agoniza o arrebol.A catedral ebúrnea do meu sonhoAparece, na paz do céu risonho,Toda branca de sol. E o sino canta em lúgubres responsos:“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” O astro glorioso segue a eterna estrada.Uma áurea seta lhe cintila em cadaRefulgente raio de luz.A catedral • Read More »


Árias e canções

IV Ouvindo um trio de violino, violeta e violonceloSimbolicamente vestida de roxo(Eram flores roxas num vestido preto)Tão tentadora estava que um diabo coxoFez rugir a carne no meu esqueleto. Toda a pureza do meu amor por elaSe foi num sopro tombar no pó.Os seus olhos intercederam por ela…Mais uma vez eu vi que não me • Read More »


Ai dos que vivem, se não fora o sono

VIII Ai dos que vivem, se não fora o sono!O sol, brilhando em pleno espaço, caiEm cascatas de luz; desce do tronoE beija a terra inquieta, como um pai. E surge a primavera. O áureo patronoDa terra é sempre o mesmo sol. Mas aiDa primavera, se não fora o outono,Que vem e vai, e volta, • Read More »


Árias e canções

III A suave castelã das horas mortasAssoma à torre do castelo. As portas,Que o rubro ocaso em onda ensangüentara,Brilham do luar à Luz celeste e clara.Como em órbitas de fatais caveirasOlhos que fossem de defuntas freiras,Os astros morrem pelo céu pressago…São como círios a tombar num lago.E o céu, diante de mim, todo escurece…E eu • Read More »