O amor e a morte

Sobre essa estrada ilumineira e parda 
dorme o Lajedo ao sol, como uma Cobra. 
Tua nudez na minha se desdobra 
— ó Corça branca, ó ruiva Leoparda.

O Anjo sopra a corneta e se retarda:
seu Cinzel corta a pedra e o Porco sobra. 
Ao toque do Divino, o bronze dobra, 
enquanto assolo os peitos da javarda.

Vê: um dia, a bigorna desses Paços 
cortará, no martelo de seus aços, 
e o sangue, hão de abrasá-lo os inimigos.

E a Morte, em trajos pretos e amarelos, 
brandirá, contra nós, doidos Cutelos 
e as Asas rubras dos Dragões antigos.


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