XXXIII – ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,Pôs-se na torre a sonhar…Viu uma lua no céu,Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu,Banhou-se toda em luar…Queria subir ao céu,Queria descer ao mar… E, no desvario seu,Na torre pôs-se a cantar…Estava perto do céu,Estava longe do mar… E como um anjo pendeuAs asas para voar…Queria a lua do • Read More »


Questões III

Se a preguiça é pecado,o que Deus estará fazendo agora?Em que se ocupa aquele que tudo pode?Terá restado algo por fazerdepois que o mundo foi criado? Se o desejo é fraqueza,Deus nunca deseja?Mas se é verdade que nos criou,algo nele desejou. Se a vaidade é um erro,por que nos fezÀ sua imagem e semelhança?Ou terá • Read More »


Avesso

Pode parecer promessamas eu sinto que você é a pessoamais parecida comigoque eu conheçosó que do lado do avesso. Pode ser que seja enganobobagem ou ilusãode ter você na minhamas acho que com você eu me esqueçoe em seguida eu aconteço. Por isso deixo aqui meu endereçose você me procurareu apareçose você me encontrarte reconheço.


Alguma coisa em mim

Alguma coisa em mimainda vai longealguma coisa em mimnão vai dar péalguma coisa em mimparece que foi ontemalguma coisa em mimquer aconteceralguma coisa em mimnão é mais minhaalguma coisa em mimsaiu da linhaalguma coisa em mimnão disse a que veioalguma coisa em mimacerta em cheioalguma coisa em mimnão tá na caraalguma coisa em mimnão tá • Read More »


Socorro

Socorro, eu não estou sentindo nada.Nem medo, nem calor, nem fogo,não vai dar mais pra chorarnem pra rir. Socorro, alguma alma, mesmo que penada,me empreste suas penas.Já não sinto amor nem dor,já não sinto nada. Socorro, alguém me dê um coração,que esse já não bate nem apanha.Por favor, uma emoção pequena,qualquer coisa que se sinta,tem • Read More »


Noite e dia

Não me agradamessas coisas que despertambarulho, susto, água friatudo na minha caramais nenhum sonho por perto. Não me agradamessas coisas que adormecemvazio, escuro, calmariatudo que lembra mortequando nada mais dá certo. Não me agradamessas coisas sem poesiauma noite só noiteum dia só dia.


É duro ter coração mole

Por favornão me aperte tanto assimtenha cuidado, pega leveolha onde pisaisso é meu coraçãomeu ganha-pãoinstrumento de trabalho,meio de vida, profissãomeu arroz com feijãomeu passaportepara qualquer partepara qualquer artenão machuque esse meu coraçãopreciso delepara me levar a Martesem sair do chãonão me apertenão machuquetome cuidadoeu vivo dissopoesia, sonhose outras cançõessem emoçãomorro de fomesinto muitomas não há • Read More »


Saudação da saudade

Minha saudadesaúda tua idamesmo sabendoque uma vindasó é possívelnoutra vida. Aqui, no reinodo escuroe do silênciominha saudadeabsurda e mudaprocura às cegaste trazer à luz. Ali, ondenem mesmo vocêsabe maistalvez, enfimnos espereo esquecimento. Aí, ainda assimminha saudadete saúdae se despedede mim.


Lembra

Lembra o tempoem que você sentia e sentirera a formamais sábia de saber E você nem sabia?


Ladainha

Era uma vez uma mulherque via um futuro grandiosopara cada homem que a tocavaum diaela se tocou… Eu pensava que o amorme faria uma rainhae quando você chegassenão seria mais sozinha. Você chega da gandaiasó pensando numazinhaseu amor é pouca palhapara minha fogueirinha. O que você jogou foraé para poucoso meu mal foi jogarpérolas aos • Read More »


Haicai

primaveraaté a cadeiraolha pela janela luzes acesasvozes amigaschove melhor


HAI-KAIS

apaga a luzantes de amanhecerum vagalume vento secoentre os bambusbarulho d água tanta poesia no gestonenhum poemao diria o relógio marca48 horas sem te versei lá quantas para te esquecer circuluarsonho imparacordo par desacertoentre nóssó etceteras


Lá ia eu

lá ia eutoda expostaàquele olharde garfo e facavendoa mesa postaminhas postas em fatiasouvindo dos convivaspiadas macarrônicas Publicado no livro Navalhanaliga (1980). In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Cantadas literárias, 24


Na esquina da Consolação

na esquina da consolaçãocom a paulistame perdi de vistavirei artistaequilibristameio mãemeio meninameio meia-noitemeio inteirainteiramente alheiatoda lua cheia In: RUIZ, Alice. Vice-versos. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Cantadas literárias


Projesombras (nós)

por causa deRegina Silveira no mundo das sombrasos objetos inchamgrávidos de outras formas silhuetas dissimulando similaridadesparódias e paradoxoslinearidades em desalinho aquiarmas são a alma das louçasaliprojesombras milimetricamentecalculadas inauguram com humoro outro lado do rigor o primeiro planopassa a pano de fundoo que é o fundo?o que é a figura?o que é a coisa?o que é • Read More »



Renga da noite

noite escurade luz a luznenhuma dívida ontem hoje amanhãtrabalho pra madrugadanoites tardes manhãs noite no matoo cheiro de açucenaé nosso lume noite de verãoescrevendo ventoeu e o vento noite de verãovem com a brisaum cheiro de primavera noite no escuropensando que era baratamatei o vagalume noite cheialua minguantemeu quarto crescente


Se

se por acasoa gente se cruzasseia ser um caso sériovocê ia rir até amanhecereu ia ir até acontecerde dia um improvisode noite uma farraa gente ia vivercom garra eu ia tirar de ouvidotodos os sentidosia ser tão divertidotocar um solo em dueto ia ser um risoia ser um gozoia ser todo diaa mesma foliaaté deixar • Read More »


Sou uma moça polida

sou uma moça polidalevandouma vida lascada cada instantepinta um grilopor cimada minha sacada Publicado no livro Navalhanaliga (1980). In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Cantadas literárias, 24


Assim que vi você

assim que vi vocêlogo vi que ia dar coisacoisa feita pra durarbatendo duro no peitoaté eu acabar virandoalguma coisaparecida com você parecia ter saídode alguma lembrança antigaque eu nunca tinha vivido alguma coisa perdidaque eu nunca tinha tido alguma voz amigaesquecida no meu ouvido agora não tem mais jeitocarrego você no peitopoema na camisetacom a • Read More »


Boca da noite

boca da noitena calada em silênciograndes lábiosse abrem em sim In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. p.16. (Cantadas literárias, 24)


Topa um pacto de sangue

topa um pacto de sanguecom essa cigana do futuroque lêo passado na tua bocao presente no teu corpoe nos teus olhostanto quanto nos astros? Publicado no livro Paixão xama paixão (1983). In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Cantadas literárias, 24


Drumundana

e agora maria? o amor acaboua filha casouo filho mudouteu homem foi pra vidaque tudo criaa fantasiaque você sonhouapagouà luz do dia e agora maria?vai com as outrasvai vivercom a hipocondria Publicado no livro Navalhanaliga (1980). In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Cantadas literárias, 24) NOTA: Paródia do poema “José”, do livro • Read More »


Enchemos a vida

enchemos a vidade filhosque nos enchem a vida um me enche de lembrançasque me enchemde lágrimas uma me enche de alegriasque enchem minhas noitesde dias outro me enche de esperançase receiosenquanto me inchamos seios Publicado no livro Paixão xama paixão (1983). In: RUIZ, Alice. Pelos pelos. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Cantadas literárias, 24


Teu corpo seja brasa

teu corpo seja brasae o meu a casaque se consome no fogo um incêndio bastapra consumar esse jogouma fogueira chegapra eu brincar de novo


A cancela da estrada

Bate a cancela da estradaConstantemente. Cavaleiro, à disparada,Lá vai no cavalo ardente.Cavaleiro em descuidadaMarcha, lá vem indolente. Passa, ondeia levantadaA poeira, toldando o ambiente. Bate a cancela da estradaConstantemente. Bate, e exaspera-se e bradaOu chora contra o batente:(Ninguém lhe ouve na arrastada,Roufenha voz o que sente) — “Minha vida desgraçadaRepouso não me consente;Vivo a bater • Read More »


Aspiração

Ser palmeira! existir num píncaro azulado,Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando;Dar ao sopro do mar o seio perfumado,Ora os leques abrindo, ora os leques fechando; Só de meu cimo, só de meu trono, os rumoresDo dia ouvir, nascendo o primeiro arrebol,E no azul dialogar com o espírito das flores,Que invisível ascende • Read More »


Confissão dos olhos

Na sala, muita vez, junto aos que estão contigo,Noto entrando que ao ver-me, entre surpresa e enleioFicas, como se acaso um sofrimento antigoEu te viesse acordar lá no íntimo do seio. Por que enleio e surpresa? Olham-te, e empalideces;Pões a vista no chão, fazes que desconhecesEstar ao pé de ti quem te perturba; acasoVais distraída; • Read More »


Fantástica

Erguido em negro mármor luzidio,Portas fechadas, num mistério enorme,Numa terra de reis, mudo e sombrio,Sono de lendas um palácio dorme. Torvo, imoto em seu leito, um rio o cinge,E, à luz dos plenilúnios argentados,Vê-se em bronze uma antiga e bronca esfinge,E lamentam-se arbustos encantados. Dentro, assombro e mudez! quedas figurasDe reis e de rainhas; penduradasPelo • Read More »


Os amores da estrela

Já sob o largo pálio a tenebrosaNoite as estrelas nítidas e belasPrendera ao seio, como mãe piedosa. De umas as brancas lúcidas capelas,De outras o manto e as clâmides de linhoViam-se à luz da lua. Estas e aquelas, Todas no lácteo sideral caminhoDormiam, como bando alvinitenteDe aves, à sombra, nos frouxéis de um ninho. Vênus, • Read More »


Os amores da estrela

Já sob o largo pálio a tenebrosaNoite as estrelas nítidas e belasPrendera ao seio, como mãe piedosa. De umas as brancas lúcidas capelas,De outras o manto e as clâmides de linhoViam-se à luz da lua. Estas e aquelas, Todas no lácteo sideral caminhoDormiam, como bando alvinitenteDe aves, à sombra, nos frouxéis de um ninho. Vênus, • Read More »


Terceiro canto

I Embala-me, balanço da mangueira,Embala-me, que enquanto vou contigo,Contigo venho, o meu pesar esqueço.Rompe a luz da manhã rosada e linda,Tudo desperta. E essa por quem padeço,Lânguida e preguiçosa,Entre brancos lençóis repousa ainda.Embala-me, pendente da mangueira,Na tensa corda, meu balanço amigo!Em claro a noite inteiraPassei, pensando nela. Ah! que formosaEstava ontem à tarde no mirante,Um • Read More »


Velha fazenda III

— “… Vi um por um, oh! provação tremenda!Nunca me há de esquecer aquele dia!Debandar os escravos da fazenda. A esta, em idos tempos de alegria,Chamara, porque as tinha, de “Esperança”,“Desengano” melhor lhe chamaria. Ah! dor nenhuma, como a da lembrançaDa ventura que foi, na desventuraFerir mais fundo o coração alcança! Tanta grandeza há pouco! • Read More »


Afrodite

I Móvel, festivo, trépido, arrolando,À clara voz, talvez da turba iriadaDe sereias de cauda prateada,Que vão com o vento os carmes concertando, O mar, — turquesa enorme, iluminada,Era, ao clamor das águas, murmurando,Como um bosque pagão de deuses, quandoRompeu no Oriente o pálio da alvorada. As estrelas clarearam repentinas,E logo as vagas são no verde • Read More »


Horas mortas

Breve momento após comprido diaDe incômodos, de penas, de cansaçoInda o corpo a sentir quebrado e lasso,Posso a ti me entregar, doce Poesia. Desta janela aberta, à luz tardiaDo luar em cheio a clarear no espaço,Vejo-te vir, ouço-te o leve passoNa transparência azul da noite fria. Chegas. O ósculo teu me vivificaMas é tão tarde! • Read More »


Taça de coral

Lícias, pastor — enquanto o sol recebe,Mugindo, o manso armento e ao largo espraia.Em sede abrasa, qual de amor por Febe,— Sede também, sede maior, desmaia. Mas aplacar-lhe vem piedosa NaiaA sede dágua: entre vinhedo e sebeCorre uma linfa, e ele no seu de faiaDe ao pé do Alfeu tarro escultado bebe. Bebe, e a • Read More »


Flor de caverna

Fica às vezes em nós um verso a que a venturaNão é dada jamais de ver a luz do dia;Fragmento de expressão de idéia fugidia,Do pélago interior bóia na vaga escura. Sós o ouvimos conosco; à meia voz murmura,Vindo-nos da consciência a flux, lá da sombriaProfundeza da mente, onde erra e se enfastia,Cantando, a distrair • Read More »


Beija-flores

Os beija-flores, em festa,Com o sol, com a luz, com os rumores,Saem da verde floresta,Como um punhado de flores. E abrindo as asas formosas,As asas aurifulgentes,Feitas de opalas ardentesCom coloridos de rosas, Os beija-flores, em bando,Boêmios enfeitiçados,Vão como beijos voandoPor sobre os virentes prados; Sobem às altas colinas,Descem aos vales formosos,E espraiam-se após ruidososPela extensão • Read More »


A vingança da porta

Era um hábito antigo que ele tinha:Entrar dando com a porta nos batentes.— Que te fez essa porta? a mulher vinhaE interrogava. Ele cerrando os dentes: — Nada! traze o jantar! — Mas à noitinhaCalmava-se; feliz, os inocentesOlhos revê da filha, a cabecinhaLhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes. Urna vez, ao tornar • Read More »


Vaso chinês

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,Casualmente, uma vez, de um perfumadoContador sobre o mármor luzidio,Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado,Nele pusera o coração doentioEm rubras flores de um sutil lavrado,Na tinta ardente, de um calor sombrio. Mas, talvez por contraste à desventura,Quem o sabe?… de um velho mandarimTambém lá • Read More »


Vaso grego

Esta de áureos relevos, trabalhadaDe divas mãos, brilhante copa, um dia,Já de aos deuses servir como cansada,Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. Era o poeta de Teos que o suspendiaEntão, e, ora repleta ora esvasada,A taça amiga aos dedos seus tinia,Toda de roxas pétalas colmada. Depois… Mas, o lavor da taça admira,Toca-a, e • Read More »


O homem e a letra

Depois de Beranger ter visto seus vizinhos virarem rinocerontesdepois de Clov contemplar a terra arrasada e comunicar-seem monossílabos com seus pais numa lixeiradepois de Gregory Sansa ter acordado numa manhãtransformado em desprezível inseto aos olhos da famíliae Kafka não ter entrado no castelo para ele aberto todaviadepois de Carlito a sós na ceia do ano • Read More »


Fascínio

Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.Não deveria, dizem.Me esforço. Aliás,já nem me esforço.Abertamente me ponho a admirá-las.Não estou traindo ninguém, advirto.Como pode o amor trair o amor?Amar o amor num outro amoré um ritual que, amante, me permito.


A IMPLOSÃO DA MENTIRA OU O EPISÓDIO DO RIOCENTRO

1 Mentiram-me. Mentiram-me onteme hoje mentem novamente. Mentemde corpo e alma, completamente.E mentem de maneira tão pungenteque acho que mentem sinceramente. Mentem, sobretudo, impune/mente.Não mentem tristes. Alegrementementem. Mentem tão nacional/menteque acham que mentindo história aforavão enganar a morte eterna/mente. Mentem. Mentem e calam. Mas suas frasesfalam. E desfilam de tal modo nuasque mesmo um cego • Read More »


Arte-final

Não basta um grande amorpara fazer poemas.E o amor dos artistas, não se enganem,não é mais beloque o amor da gente. O grande amante é aquele que silentese aplica a escrever com o corpoo que seu corpo deseja e sente. Uma coisa é a letra,e outra o ato, – quem toma uma por outraconfunde e • Read More »


Confluência

Ter-te amado, a fantasia exata se cumprindosem distância.Ter-te amado convertendo em melo que era ânsia.Ter-te amado a boca, o tato, o cheiro:intumescente encontro de reentrâncias.Ter-te amadofez-me sentir: no corpo teu, o meu desejo– é ancorada errância.


Definição

O corpo é ondeé carne: o corpo é ondehá carnee o sangueé alarme. O corpo é ondeé chama: o corpo é ondehá chamae a brasainflama. O corpo é ondeé luta: o corpo é ondehá lutae o sangueexulta. O corpo é ondeé cal: o corpo é ondehá cale a doré sal. O corpoé ondee a vidaé • Read More »


Os desaparecidos

De repente, naqueles dias, começarama desaparecer pessoas, estranhamente.Desaparecia-se. Desaparecia-se muitonaqueles dias. Ia-se colher a flor ofertae se esvanecia.Eclipsava-se entre um endereço e outroou no táxi que se ia.Culpado ou não, sumia-seao regressar do escritório ou da orgia.Entre um trago de conhaquee um aceno de mão, o bebedor sumia.Evaporava o paiao encontro da filha que não • Read More »


Poemas para a amiga (fragmento 8)

Contemplo agora o leito que vazio se contempla. Contemplo agora o leito que vazio em mim se estende e se me aproximo existe qualquer coisa trescalando aroma em mim.  Onde o teu corpo, amante-amiga, onde o carinho que compungido em recebia e aquela forma que tranquila ainda ontem descobrias?  Agora eu te diria o quanto te agradeço o corpo teu se o me dás ou se o me tomas, e • Read More »


Carta aos

Carta aosMortosAmigos, nadamudouem essência.Os saláriosmal dão para os gastos,as guerras não terminarame há vírus novos e terríveis,embora o avanço da medicina.Volta e meia um vizinhotomba morto por questão de amor.Há filmes interessantes, é verdade,e como sempre, mulheres portentosasnos seduzem com suas bocas e pernas,mas em matéria de amornão inventamos nenhuma posição nova.Alguns cosmonautas ficam no • Read More »