Elizandra Souza

Redemoinhos

Quem pode prender essa ventania que mora em mim? Essa fertilidade de espalhar boas sementes De unir elementos contraditórios dentro de si Tempo que se fecha sem chover, poeira do meu indizível. Fogo que alastra indomável pelo caminho Águas que recuam e voltam com intensidade Nesta instabilidade de nascer tempestade e dissipar-se fogo Fecha meu • Read More »


Estradeira

Hoje a poesia veio triste Despedidas são sempre o vazio O que não existirá mais Essa dor que arranha a garganta Embarga a voz E essa liberdade das águas dos olhos Caindo descontroladamente… Hoje a poesia veio triste Como a vitória regia solitária no rio Como uma estradeira que não olha pra trás Fecha a • Read More »


Revoada n’alma

Aquela sinfonia é a mesma revoada que tenho n’alma sabe essa agonia de quem não sabe para onde vai e volta para o mesmo lugar É como subir as escadarias de um morro nunca visitado você caminha pé a pé e não sabe onde finda Há sempre um condutor que te leva na morada dos • Read More »


Ensaio sobre nós

Nossas afinidades Tardes de preciosidades suco de cacau com graviola um samba de Cartola ele fumaça, eu incenso ele melodia, eu silêncio Nossas contendas Resolvemos com oferendas Ervas de benzedura Mordida na cintura Lambida no pescoço Esquecemos do almoço Somos estações do ano Períodos de estiagem Épocas de chuva Uma manhã ele me seduz Uma • Read More »


Ciranda dos pássaros

Enquanto eu dormia Os pássaros lá fora Dançavam ciranda E aqui do lado de dentro As paredes refletiam A tinta soltando do reboco Malcolm vigiava Com arma em punho Bob acendia um alívio Tupac me seduzia Enquanto eu dormia Os pássaros lá fora Dançavam ciranda O menino-homem ou Homem-menino Anoiteceu doce agarrado Nos galhos do • Read More »