Estradeira

Hoje a poesia veio triste

Despedidas são sempre o vazio

O que não existirá mais

Essa dor que arranha a garganta

Embarga a voz

E essa liberdade das águas dos olhos

Caindo descontroladamente…

Hoje a poesia veio triste

Como a vitória regia solitária no rio

Como uma estradeira que não olha pra trás

Fecha a mala, tranca a porta

E segue em direção ao desconhecido

Engole a poeira, pisa firme nas pedras…

Não deixa saudades, não deixa Amor

Hoje a poesia veio triste

Como final de um espetáculo

Daqueles que só alguns vestígios

Permaneceram no público.

Daquelas conexões sem nenhum sentido

Histórias cruzadas por mero acaso

Não era destino, era a vida por um triz!


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