Redemoinhos

Quem pode prender essa ventania que mora em mim?

Essa fertilidade de espalhar boas sementes

De unir elementos contraditórios dentro de si

Tempo que se fecha sem chover, poeira do meu indizível. Fogo que alastra indomável pelo caminho

Águas que recuam e voltam com intensidade

Nesta instabilidade de nascer tempestade e dissipar-se fogo

Fecha meu ponto fraco, nas espirais dos meus ventos

Movimento o meu corpo para que ele não morra

Quem pode acalmar esse redemoinho de ser mulher preta? Este racismo que me desumaniza e me torna vazio

O invisível de todos os meus passos desfeitos

Sabe quando o mar desfaz as escritas nas areias?

Sabe quando o dia vai virando noite e tudo se torna mistério? Tem dias que a loucura mescla com a solidão

E eu me vi várias vezes vagando sem destino certo…

Eu tenho medo de que não se lembrem,

nossos passos vêm de longe e precisamos prosseguir…


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