Tristeza

Esta noite eu durmo de tristeza.
(O sono que eu tinha morreu ontem
queimado pelo fogo de meu bem.)
O que há em mim é só tristeza,
uma tristeza úmida, que se infiltra
pelas paredes de meu corpo
e depois fica pingando devagar
como lágrima de olho escondido.
(Ali, no canto apagado da sala,
meu sorriso é apenas um brinquedo
que a mãozinha da criança quebrou.)
E o resto é mesmo tristeza.
– Ivan Junqueira, em Os mortos”. Rio de Janeiro: Atelier de Arte, 1964.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *