1935

Tenso como rede de nervos
pressentindo ah! novembro
de esperança e precipício.
Fruto peco.
Novembro de sangue e de heróis.
Grito de assombro morto na garganta,
soluço seco dor sem nome. Ferido.
De morte ferido. Como um animal ferido. Luta
de entranhas e dentes. Natal.
Sangue. Praia Vermelha.
Sangue.
Sangue. É quase um fio
escorrendo
sangrento
tenaz
por dentro dos cárceres,
nas ilhas
e nos corações que a esperança guardaram.
– Jacinta Passos, em “Poemas políticos”. Rio de Janeiro: Livraria-Editora Casa do Estudante do Brasil, 1951.


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