Prefiro a guerra

Telefone toca.
Sinto a navalha na carne
E o sangue esguichando.
Rapidamente os rumos mudam.

Rua de cima
Rua de baixo
É a porta direita do carro que se abre
Sem pausas e sem sorriso.

Aquela boca morta.
A mesma que te beija
É a boca que te corta.
É a fala que sai da boca
Que de fato me apavora.

Abro o portão
Subo as escadas.
Fogo morto
Tropecei na realidade.

A navalha era afiada
O sangue vai demorar a estancar.

O que você está esperando
O próximo episódio?
A próxima tragédia?

Se o amor é isso
Uma hemorragia interna
Eu prefiro a guerra.

                   (Terra fértil, p. 118)


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