XV

A garupa da vaca era palustre e bela,

uma penugem havia em seu queixo formoso;

e na fronte lunada onde ardia uma estrela

pairava um pensamento em constante repouso.

Esta a imagem da vaca, a mais pura e singela

que do fundo do sonho eu às vezes esposo

e confunde-se à noite à outra imagem daquela

que ama me amamentou e jaz no último pouso.

Escuto-lhe o mugido ? era o meu acalanto,

e seu olhar tão doce inda sinto no meu:

o seio e o ubre natais irrigam-me em seus veios.

Confundo-os nessa ganga informe que é meu canto:

semblante e leite, a vaca e a mulher que me deu

o leite e a suavidade a manar de dois seios.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *