Alma solitária

O que sentias era o que ninguém sentia:– O ódio, o amor, a saudade, a revolta tremenda.Não há ninguém que te ame e te console e entenda.Ninguém compartilhou tua funda agonia.
A alma que possuir acreditaste, um dia,Indiferente, vai a trilhar outra senda.Do infinito deserto ergueste a tua tendaEm meio à solidão da paisagem vazia…
E ora num voo audaz, ora num voo incerto,Entre o fogo do céu e a areia do deserto,A asa da aspiração finalmente cansou…
Mas a tua ansiedade e a tua angústia acalma.– Sobre o abismo cavado entre as almas, ó alma,Ninguém, para transpô-lo, uma ponte lançou.

– Júlia Cortines, em “Vibrações”. Rio de Janeiro: Laemmert & C. – Editores, 1905.


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