Dies iræ

A esse som de trombeta e de alarma, quem há de Dormir?

Mortos, deixai a paz da sepultura

E acorrei: o que ouvis é o clarim da Saudade!

De pé! de pé! de pé!

Despedaçai a dura Lousa que sobre vós lançou o esquecimento,

Espectros do sofrer, fantasmas da ventura!

Ó divina ilusão, que um único momento

O fulgor da tua asa ante os meus olhos passe,

Deixando-os num enlevo e num deslumbramento!

Meu amor, meu amor, anima-te! renasce

Da cova em que a traição te sepultou um dia,

E une ainda uma vez a face à minha face!

Como o meu coração, em ânsias, se estorcia

Às tuas rudes mãos, fá-lo estorcer-se agora,

Minha lenta e penosa e tremenda agonia!

Todas vós que a minha alma agitastes outrora,

Ó esperança, ó alegria, ó tristeza, ó ansiedade,

Acudi a essa voz que, vibrante e sonora,

Faz rolar pelo espaço o clarim da Saudade!


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