Eternidade

Eternidade d’alma! ilusória miragem,

Que a alma busca através da crença e do terror,

A idear uma calma ou sombria paragem

De infinito prazer ou de infinita dor!
Por que há de haver além, noutro mundo distante,

Um prêmio eterno para a virtude mortal?

E para o ser que vive apenas um instante

Por que há de ser eterno o castigo do mal?
Que outros pensem que um dia a efêmera ventura

Eterna possa ser, e o efêmero pesar.

Que outros pensem que irão na constelada altura,

Co’outra forma e outra essência, a vida renovar…
À minha alma debalde essa ilusão convida.

Sem crença e sem terror, é-lhe grato saber

Que por destino tem, sobre as ondas da vida,

Um instante boiar, e desaparecer…

– Júlia Cortines, em “Vibrações”. Rio de Janeiro: Laemmert & C. – Editores, 1905.


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