O infinito

(G. LEOPARDI)
AO DR. ESPERIDIÃO ELOY FILHO.

Sempre caro me foi este ermo cole,
Mais esta sebe, que de tanta parte
O longínquo horizonte à vista oculta.
Mas, se me assento, contemplando-a, espaços
Intérminos além, e sobre-humano
Silêncio, e profundíssima quietude
Meu pensamento fantasia; e quase
Se me apavora o coração. Se o vento
Ouço fremir nas árvores, aquele
Infinito silêncio a este murmúrio
Vou comparando: e lembro-me do eterno,
Das extintas idades, da presente
E viva e rumorosa. E em meio dessa
Imensidão afogo o pensamento,
E em suas ondas naufragar me é doce.


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