Por toda parte

Interrogaste a vida: interrogaste o arcano,

Misterioso sentir do coração humano;

A mesta palidez serena do luar;

O murmúrio plangente e soturno do mar;

O réptil, que rasteja; o pássaro, que voa;

A fera, cujo berro as solidões atroa;

A desenfreada fúria insana do tufão;

A planta a se estorcer numa atroz convulsão.

Interrogaste, enfim, tudo o que existe, tudo:

O que chora, o que vibra, o que é imoto, o que é mudo.

Do astro eterno baixaste à transitória flor.

Que encontraste, afinal?

– A dor! a dor! a dor!


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