Sonhadores

Almas – da natureza a execrada exceção –

Em que o Sonho ateou seu nefasto clarão,

Vós que, presas à terra, a asa do pensamento

Sentis sempre a voar, em livre movimento,

Para o distante azul dos mundos ideais,

Onde o bem que buscais não existiu jamais;

Vós que abris, procurando o mistério das coisas,

Ou do futuro os véus, ou do passado as lousas,

Vendo bem quanto é vão o que hoje se ergue, e só

Se ergueu para amanhã se desfazer em pó;

Vós, a quem acenou a dolosa esperança

Co’a ventura que atrai e que nunca se alcança,

E que, em sede, ao roçar pela fonte do amor

O lábio, a água sorveis do pântano da dor;

Vós todas pela terra arrastastes os dias,

Deixando após, no chão, um rastro de agonias,

E fazendo vibrar, no espaço, em torno a nós,

A vossa revoltada ou suplicante voz,

Que ora em murmúrios geme, ora em blasfêmias grita

Da vida que heis vivido a miséria infinita!


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