Tarde de inverno

(A Cartola Cortines)

Sob o curvo cristal da imensidade

De um céu de transparência etérea e fria,

Em que do posto sol a claridade,

Azul e melancólica, radia,

Vemos o bosque, o rio, a amenidade

Das sombras, a ondulada pradaria,

Como um painel de estranha suavidade

E encantadora e rústica poesia.

Olha como o formoso fruto loiro

Salpica de pequenos pontos de oiro

Aquela verdejante laranjeira!

E além, alem, do céu no alaranjado

Fundo se esbate e avulta o recortado

E sombrio perfil da cordilheira…


Comments are closed here.