Terra ideal

Como um pássaro, abrir na amplidão do horizonte

As asas eu quisera, e a uma terra voar

Que existe para além do píncaro do monte

E para além da toalha infinita do mar.

Terra onde o pálio azul das auroras se estende,

Sem nuvens, tinto de oiro o límpido fulgor,

Por sobre um solo verde e viçoso em que esplende

A água viva, a cantar entre margens em flor;

Onde os nimbos jamais, fustigados do açoite

Dos ventos, pelos céus rolam em turbilhões,

E onde o amplo manto arrasta a tenebrosa noite

De planetas broslado e de constelações;

E que do liminar de minha adolescência,

Entre sombras, a furto e a distância, entrevi,

E que em pleno verão e em plena florescência

Da raia do horizonte ainda me sorri…

E para onde eu estendo avidamente os braços,

E para onde se lança, atraído, o meu ser,

Vendo-a sempre, através de infinitos espaços,

De meus braços fugir, de minha alma correr…


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