Vozes da noite

Pesa a calma da noite em derredor.

Um choro Brando às súbitas soa

No silêncio, que após um tumultuoso coro

De soluços e de ais e de gritos povoa:

– Vão e eterno clamor da humana criatura,

Presa da desventura.

Quanta dor a gemer nessa orquestra assombrosa!

Revoltado e dorido,

Vibra o grito de alguém, numa selva cheirosa

Pelo ascoso réptil da perfídia mordido;

De alguém, franco e viril, que a luta não abate,

Vencido sem combate.

Ouço o rouco estertor do soldado, que, exangue,

Após a árdua refrega,

Agoniza num solo embebido de sangue,

Enquanto ao seu olhar, que às ilusões se apega,

Se transmuda o fulgor da sagrada bandeira

Numa sombra embusteira…


Comments are closed here.