Nas praias do Cumam – Solidão

Aqui na solidão minh’alma dorme; 
Que letargo profundo!… Se no leito, 
A horas mortas me revolvo em dores, 
Nem ela acorda, nem me alenta o peito.No matutino albor a nívea garça 
Lá vai tão branca doudejando errante; 
E o vento geme merencório – além 
Como chorosa, abandonada amante.E lá se arqueia em ondulação fagueira 
O brando leque do gentil palmar; 
E lá nas ribas pedregosas, ermas, 
De noite – a onda vem de dor chorar.Mas, eu não choro, lhe escutando o choro; 
Nem sinto a brisa, que na praia corre: 
Neste marasmo, neste lento sono, 
Não tenho pena; – mas, meu peito morre.Que displicência! não desperta um’hora! 
Já não tem sonhos, nem já sofre dor… 
Quem poderia despertá-lo agora? 
Somente um ai que revelasse – amor.

         [ CANTOS À BEIRA MAR, São Luís do Maranhão, 1871, pags. 177-178 ]


Comments are closed here.