Amanhã

Amanhã, ilusão doce e fagueira,

Linda rosa molhada pelo orvalho:

Amanhã, findarei o meu trabalho,

Amanhã, muito cedo, irei à feira.
Desta forma, na vida passageira,

Como aquele que vive do baralho,

Um espera a melhora no agasalho

E outro, a cura feliz de uma cegueira.
Com o belo amanhã que ilude a gente,

Cada qual anda alegre e sorridente,

Como quem vai atrás de um talismã.
Com o peito repleto de esperança,

Porém, nunca nós temos a lembrança

De que a morte também chega amanhã.

– Patativa do Assaré, em “Melhores poemas de Patativa do Assaré”. (Seleção e apresentação de Cláudio Portela). Rio de Janeiro: Global Editora, 2006.


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