Flores murchas

Depois do nosso desejado enlace

Ela dizia, cheia de carinho,

Toda ternura a segredar baixinho:

— Deixa, querido, que eu te beije a face!

Ah! se esta vida nunca mais passasse!

Só vejo rosas, sem um só espinho;

Que bela aurora surge em nosso ninho!

Que lindo sonho no meu peito nasce!

E hoje, a coitada, sem falar de amor,

Em vez daquele natural vigor,

Sofre do tempo o mais cruel carimbo.

E assim vivendo, de mazelas cheia,

Em vez de beijo, sempre me aperreia

Pedindo fumo para o seu cachimbo.

– Patativa do Assaré, em “Ispinho e Fulô”. (Organização Antônio Gonçalves da Silva). Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1990. (grafia original)


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