Saudade

Saudade dentro do peito

É qual fogo de monturo

Por fora tudo perfeito,

Por dentro fazendo furo.

Há dor que mata a pessoa

Sem dó e sem piedade,

Porém não há dor que doa

Como a dor de uma saudade.

Saudade é um aperreio

Pra quem na vida gozou,

É um grande saco cheio

Daquilo que já passou.

Saudade é canto magoado

No coração de quem sente

É como a voz do passado

Ecoando no presente.

A saudade é jardineira

Que planta em peito qualquer

Quando ela planta cegueira

No coração da mulher,

Fica tal qual a frieira

Quanto mais coça mais quer.

– Patativa do Assaré, em “Ispinho e Fulô”, Ceará: UECE/Prefeitura Municipal de Assaré, 2001, p. 138. (grafia original)


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