Raul Bopp

Favela

Meio-dia. O morro coxo cochila. O sol resvala devagarzinho pela rua torcida como uma costela. Aquela casa de janelas com dor-de-dente amarrou um coqueiro do lado. Um pé de meia faz exercícios no arame. Vizinha da frente grita no quintal: – João! Ó João! Bananeira botou as tetas do lado de fora. Mamoeiros estão de • Read More »


Monjolo chorado do bate-pilão

Fazenda velha. Noite e diaBate-pilão. Negro passa a vida ouvindoBate-pilão. Relógio triste o da fazenda.Bate-pilão. Negro deita. Negro acorda.Bate-pilão. Quebra-se a tarde. Ave-Maria.Bate-pilão. Chega a noite. Toda a noiteBate-pilão. Quando há velório de negroBate-pilão. Negro levado pra covaBate-pilão.


Coco de Pagu

Pagu tem os olhos moles uns olhos de fazer doer. Bate-côco quando passa. Coração pega a bater. Eh Pagu eh!Dói porque é bom de fazer doer. Passa e me puxa com os olhos provocantissimamente.Mexe-mexe bamboleiapra mexer com toda a gente. Eli Pagu eh!Dói porque é bom de fazer doer. Toda a gente fica olhando o seu corpinho de vai-e-vem umbilical e • Read More »


Cobra Norato (trecho da obra)

Um diaainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim. Vou andando, caminhando, caminhando;me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.Depoisfaço puçanga de flor de tajá de lagoae mando chamar a Cobra Norato. — Quero contar-te uma história:Vamos passear naquelas ilhas decotadas?Faz de conta que há luar. A noite chega mansinho.Estrelas conversam em voz baixa. • Read More »