Favela

Meio-dia.

O morro coxo cochila.

O sol resvala devagarzinho pela rua torcida como uma costela.

Aquela casa de janelas com dor-de-dente amarrou um coqueiro do lado.

Um pé de meia faz exercícios no arame.

Vizinha da frente grita no quintal: – João! Ó João!

Bananeira botou as tetas do lado de fora.

Mamoeiros estão de papo inchado.

Negra acocorou-se a um canto do terreiro.

Pôs as galinhas em escândalo.

Lá embaixo passa um trem de subúrbio riscando fumaça.

À porta da venda negro bocejou como um túnel.


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